O Minimalismo não se interessa por você. Por isso é importante.

Escrito por Felipe V. Almeida

“Por séculos a arte vem tentando te enganar, te convencer de que o pedaço de pedra é algo mais do que um pedaço de pedra. Mas não essa arte.” - Sarah Urist Green

 

Nova York, anos 60. Depois dos excessos emocionais e temáticos do Expressionismo abstrato surge uma movimentação que foi tanto uma recusa quanto uma reelaboração da arte daquela época. Anônima, fria, simples, industrial e repetitiva, surge a arte Minimalista.

Die (1962). Tony Smith.

O canal Art Assignment publicou um vídeo da Sarah Urist Green em “defesa” do minimalismo. É importante notar que o vídeo fala especificamente do movimento minimalista de Nova York nos anos 60 que foi levado a cabo por artistas como Frank Stella, Carl Andre e Tony Smith.

“Esses novos artistas queriam remover toda a expressividade, remover a emoção. Esvaziar a obra de gestos idiossincráticos. Torná-la resistente a uma leitura biográfica. Suas formas básicas, retas e pontiagudas evitavam a ilusão, a metáfora e o simbolismo excessivo. Os formatos eram repetidos um após o outro em arranjos regulares e sem hierarquia, rejeitando uma composição balanceada.”

Por Robert Morris.

Talvez as melhores explicações sobre o que foi o Minimalismo venham dos próprios artistas envolvidos:

“O melhor é que a unidade básica seja intencionalmente desinteressante.” - Sol LeWitt

“Não aos valores transcendentes e espirituais, à escala heroica, decisões agoniadas, narrativa historicista, artefatos valiosos, estruturas inteligentes, não à experiência visual interessante.” -Robert Morris

Já a defesa, ou parte dela, como uma forma de entender a arte minimalista de acordo com seus próprios objetivos e bandeiras é essencial para uma visão mais plural e menos pautada naquilo que o cânone propõe como parâmetros artísticos:

Equivalentes. Carl Andre.

“Mas eles diziam sim a uma nova e chocante realidade, abandonando o pedestal para desmantelar a separação entre você e a arte. Por séculos a arte vem tentando te enganar, te convencer de que o pedaço de pedra é algo mais do que um pedaço de pedra. Mas não essa arte.
Ela encoraja a observação, entretanto não te atrai e nunca quis atrair. Lembre, esses objetos deviam ser livres da pretensão, da autoridade, da sedução usual entre arte e espectador, das grandes tradições que a precederam.”

Conhecemos muito bem a importância das formas mais tradicionais de arte, não só a importância como os benefícios, porém se o Minimalismo se coloca contra tudo isso, onde fica a relevância desse movimento? Sarah Urist Green tem um argumento:

“A arte minimalista ainda consegue impor um sentimento intenso. Um sentimento de espaço, luz, presença e ausência. Você fica consciente do seu corpo na galeria como nunca esteve antes. Você percebe que sua posição na sala determina a forma como você percebe as coisas. Você aprecia a arquitetura e a simplicidade.
Esse é um mundo mais simples que o mundo real e isso é algo que eu consigo valorizar.”

Leia também as críticas de Roland Barthes sobre a figura do Autor na literatura e conheça mais sobre os pintores Goya e Edward Hopper.


You've probably seen a few cubes sitting in an art gallery and questioned why they were there. How could cubes be important? How did we get here? This is the case for Minimalism. Subscribe for new episodes of The Art Assignment every Thursday!
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